quarta-feira, 31 de maio de 2023

TEMA CARACTERÍSTICAS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (2º BIMESTRE)

 


O que foi a Revolução Industrial?

Revolução Industrial é o nome pelo qual conhecemos o período de grande avanço tecnológico que se iniciou na Inglaterra no final do século XVIII. As inovações tecnológicas realizadas na Inglaterra permitiram o surgimento da indústria. Sua difusão pela Europa e pelo restante do planeta contribuiu para o estabelecimento do capitalismo. Não há uma data específica que delimite o início da Revolução Industrial, pois há divergência entre os historiadores a respeito dessa cronologia. Alguns apontam que a década de 1760 foi seu pontapé inicial, embora outros teorizem que foi a década de 1780. Apesar dessa discordância na datação do acontecimento, algo é unânime: a Revolução Industrial transformou radicalmente a sociedade. Isso porque as relações de trabalho mudaram profundamente, assim como a produção de mercadorias, que se tornou mais rápida. O desenvolvimento tecnológico contribuiu também para o encurtamento das distâncias.

O ponto de partida da indústria na Inglaterra se deu por meio da indústria têxtil, e as primeiras grandes máquinas do período foram idealizadas para ampliar a produção de roupas. Isso se concretizou por meio do desenvolvimento das máquinas de tear, como a spinning frame, que permitia que uma pessoa que a manejasse fosse capaz de tear dezenas de fios ao mesmo tempo. A ampliação da produção por meio das máquinas contribuiu para a redução salarial e permitiu que os lucros obtidos pelos donos de indústrias fossem utilizados no desenvolvimento de novas tecnologias. Foi o que aconteceu também, por exemplo, com as estradas de ferro, que passaram a ser construídas a partir da década de 1830 por todo o território inglês. Esse meio de transporte, então mais eficiente, foi financiado, portanto, com dinheiro do lucro dos donos de indústrias. As estradas de ferro na Inglaterra permitiram diminuir o tempo do deslocamento e possibilitaram aumentar a capacidade de mercadoria produzida. Em suma, as indústrias podiam investir no aumento da produtividade porque havia um meio eficiente para transportar suas mercadorias.

O controle da produção

O artesão também costumava exercer controle sobre quase todas as etapas da produção de bens: selecionava a matéria-prima – isso quando ele mesmo não a extraia da natureza –, trabalhava todos os pontos do utensílio e vendia o produto final. Desta maneira, seus ganhos também estavam atrelados à sua produtividade, o que poderia fazer com que ele pudesse trabalhar mais ou menos e mais rápido ou mais devagar, obedecendo suas necessidades ou interesses. A Revolução Industrial rompe profundamente com esta lógica. As pessoas passaram a ser empregadas na produção de bens através da divisão do trabalho. A transformação foi tão grande que no presente o trabalho artesanal é visto como resistência das transformações e símbolo de culturas em desaparecimento. Na dinâmica inaugurada pela industrialização, para fazer um utensílio como um sapato, por exemplo, existe uma pessoa para selecionar o material, outra para curtir o couro, outra para fazer o corte, outra para costurar e pregar, e tantas outras pessoas para vender o produto final. Essa transformação ocorrida no século XVIII foi responsável por dispensar o conhecimento amplo do indivíduo por detrás da produção dos utensílios, agilizar a fabricação e padronizar o resultado final. A razão final para isto? Maximização de lucros. Porém, as transformações mencionadas no parágrafo anterior dizem respeito apenas a aspectos econômicos. A Revolução Industrial também modificou profundamente a vida das pessoas em termos culturais e sociais, fossem elas trabalhadoras ou apenas consumidoras.

Como foi a Primeira Revolução Industrial

Todo processo histórico tem etapas, e a Revolução Industrial foi tão extensa que muitos intelectuais afirmam que ainda vivemos novas ondas deste movimento. Isso porque a tecnologia que atende o mercado está sempre em desenvolvimento, “fazendo mais com menos”. Porém, tradicionalmente, dividimos este processo em três fases: a Primeira Revolução Industrial (1750-1850), Segunda Revolução Industrial (1850-1950), e Terceira Revolução Industrial, que dura até os dias de hoje. Cada uma delas se diferencia pela tecnologia aplicada na produção, transporte e comunicação. Na primeira, ganham destaque os motores à vapor, na segunda a utilização de eletricidade e de motores de explosão, e na terceira a aplicação da informática, robótica, eletrônica e biotecnologia. O início de todo o processo da Primeira Revolução Industrial ocorreu graças aos investimentos de abastados comerciantes britânicos em novos estudos e tecnologias, sobretudo aqueles que lucravam com indústria têxtil. Dessa forma, a industrialização está diretamente ligada à economia da lã e do algodão. Este segundo era proveniente, principalmente, das colônias inglesas do sul na América do Norte, onde era produzido e colhido com mão de obra escravizada.

A máquina a vapor

Neste contexto, Thomas Newcomen desenvolve o que foi chamado de motor à vapor, que depois foi aperfeiçoado por James Watt. Essa tecnologia passou a ser aplicada em teares e outras máquinas da indústria têxtil, agilizando a produção e garantindo mais vendas. Depois, ela passou a ser aplicada também em outros setores da economia, inclusive nos transportes, fazendo surgir os barcos e as locomotivas à vapor. Assim, o carvão passou a ser um recurso natural valioso, já que ele era utilizado para vaporizar a água que ativava os motores. Mas, para o capitalismo industrial, tão importante quanto produzir é poder escoar a sua produção. O fato de a industrialização ter começado na Inglaterra tinha a vantagem de o país deter o monopólio maquinário, mas eles ainda precisavam de mercados consumidores no exterior. O contexto colonial na América prejudicava as vendas, já que o pacto colonial impedia aqueles territórios de comercializarem com outras nações que não suas metrópoles. Por conta disso, o Estado inglês apoiou o movimento de independência nas diferentes regiões do continente americano. Com o Brasil não foi diferente. Quando a família real portuguesa fugiu das invasões napoleônicas e vieram para o Brasil em 1807, os ingleses escoltaram os navios durante a viagem. Em troca, exigiram a abertura dos portos e privilégios tarifários para seus produtos. Isso foi possível porque a burguesia industrial inglesa ganhou mais influência no meio político e até ocupando cargos no próprio parlamento inglês.

Do campo para a cidade

Logo antes da época da Primeira Revolução Industrial ocorrera um êxodo rural na Inglaterra motivado pelo cercamento de antigas terras comunais e pela busca por trabalho na cidade. Isso criou uma grande massa de pessoas pobres e desempregadas. Como toda essa mudança se configurou primeiramente para ampliação de lucros, os direitos dos trabalhadores ainda não eram garantidos. Os pagamentos eram realizados diariamente nas fábricas ao término do serviço, que podia chegar à 16 horas por dia. Além disso, mulheres e crianças eram recrutadas para o trabalho nas fábricas, onde tinham remuneração inferior à dos homens por justificativa de produtividade, mesmo que isso não fosse sempre uma realidade. Acidentes de trabalhos eram frequentes, pois além das jornadas exaustivas também não havia a preocupação com segurança do trabalho, transformando diversas pessoas em mutilados que logo eram substituídos por outros desempregados. Não era raro o caso de mulheres grávidas darem à luz no chão de fábrica porque a ideia de que as pessoas precisariam se ausentar de suas funções para cuidar de sua saúde e dos recém-nascidos ia contra a lógica produtivista


A vida do trabalhador na Revolução Industrial

A Revolução Industrial trouxe grandes transformações para o planeta e permitiu o desenvolvimento da indústria e do capitalismo, como já vimos. Além disso, a vida dos trabalhadores, grupo que formava a camada mais baixa da sociedade inglesa, também se transformou radicalmente. Podemos citar o fato de que o processo de produção de mercadorias foi alterado e passou da manufatura para a maquinofatura. Isso significa que o trabalho deixou de ser artesanal para ser industrial, pois antes as roupas eram produzidas manualmente. Já com as máquinas, esse processo começou a acontecer de maneira industrializada. Assim, não era mais necessário que o trabalhador possuísse grandes habilidades manuais, pois o trabalho não era mais artesanal. A máquina era facilmente controlada e qualquer trabalhador poderia manejá-la. Na prática, o trabalho deixou de ser especializado e isso gerou redução salarial expressiva. A redução salarial não foi acompanhada, de maneira alguma, por redução no custo de vida. Sendo assim, os trabalhadores tinham as mesmas despesas, mas recebiam muito menos do que recebiam nos anos anteriores ao surgimento das máquinas. Soma-se a isso o fato de que muitos trabalhadores tinham jornadas de trabalho extremamente longas. O trabalho poderia se estender por 16 horas, com uma pausa para o almoço, durante todos os dias da semana. Além disso, os trabalhadores não podiam faltar ao expediente, pois, se isso acontecesse, o salário deles seria reduzido. Por fim, o ambiente de trabalho não era seguro e os acidentes com as máquinas eram frequentes. Essa situação precária no trabalho fez com que os trabalhadores se reunissem em sindicatos, cujo intuito era que se organizassem para defenderem os direitos da classe trabalhadora. Os sindicatos passaram a lutar por aumentos salariais, redução na carga diária de trabalho, direito de férias etc. Dois movimentos de trabalhadores de destaque do período foram o ludismo e o cartismo.

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