quarta-feira, 31 de maio de 2023

TEMA CARACTERÍSTICAS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (2º BIMESTRE)

 


O que foi a Revolução Industrial?

Revolução Industrial é o nome pelo qual conhecemos o período de grande avanço tecnológico que se iniciou na Inglaterra no final do século XVIII. As inovações tecnológicas realizadas na Inglaterra permitiram o surgimento da indústria. Sua difusão pela Europa e pelo restante do planeta contribuiu para o estabelecimento do capitalismo. Não há uma data específica que delimite o início da Revolução Industrial, pois há divergência entre os historiadores a respeito dessa cronologia. Alguns apontam que a década de 1760 foi seu pontapé inicial, embora outros teorizem que foi a década de 1780. Apesar dessa discordância na datação do acontecimento, algo é unânime: a Revolução Industrial transformou radicalmente a sociedade. Isso porque as relações de trabalho mudaram profundamente, assim como a produção de mercadorias, que se tornou mais rápida. O desenvolvimento tecnológico contribuiu também para o encurtamento das distâncias.

O ponto de partida da indústria na Inglaterra se deu por meio da indústria têxtil, e as primeiras grandes máquinas do período foram idealizadas para ampliar a produção de roupas. Isso se concretizou por meio do desenvolvimento das máquinas de tear, como a spinning frame, que permitia que uma pessoa que a manejasse fosse capaz de tear dezenas de fios ao mesmo tempo. A ampliação da produção por meio das máquinas contribuiu para a redução salarial e permitiu que os lucros obtidos pelos donos de indústrias fossem utilizados no desenvolvimento de novas tecnologias. Foi o que aconteceu também, por exemplo, com as estradas de ferro, que passaram a ser construídas a partir da década de 1830 por todo o território inglês. Esse meio de transporte, então mais eficiente, foi financiado, portanto, com dinheiro do lucro dos donos de indústrias. As estradas de ferro na Inglaterra permitiram diminuir o tempo do deslocamento e possibilitaram aumentar a capacidade de mercadoria produzida. Em suma, as indústrias podiam investir no aumento da produtividade porque havia um meio eficiente para transportar suas mercadorias.

O controle da produção

O artesão também costumava exercer controle sobre quase todas as etapas da produção de bens: selecionava a matéria-prima – isso quando ele mesmo não a extraia da natureza –, trabalhava todos os pontos do utensílio e vendia o produto final. Desta maneira, seus ganhos também estavam atrelados à sua produtividade, o que poderia fazer com que ele pudesse trabalhar mais ou menos e mais rápido ou mais devagar, obedecendo suas necessidades ou interesses. A Revolução Industrial rompe profundamente com esta lógica. As pessoas passaram a ser empregadas na produção de bens através da divisão do trabalho. A transformação foi tão grande que no presente o trabalho artesanal é visto como resistência das transformações e símbolo de culturas em desaparecimento. Na dinâmica inaugurada pela industrialização, para fazer um utensílio como um sapato, por exemplo, existe uma pessoa para selecionar o material, outra para curtir o couro, outra para fazer o corte, outra para costurar e pregar, e tantas outras pessoas para vender o produto final. Essa transformação ocorrida no século XVIII foi responsável por dispensar o conhecimento amplo do indivíduo por detrás da produção dos utensílios, agilizar a fabricação e padronizar o resultado final. A razão final para isto? Maximização de lucros. Porém, as transformações mencionadas no parágrafo anterior dizem respeito apenas a aspectos econômicos. A Revolução Industrial também modificou profundamente a vida das pessoas em termos culturais e sociais, fossem elas trabalhadoras ou apenas consumidoras.

Como foi a Primeira Revolução Industrial

Todo processo histórico tem etapas, e a Revolução Industrial foi tão extensa que muitos intelectuais afirmam que ainda vivemos novas ondas deste movimento. Isso porque a tecnologia que atende o mercado está sempre em desenvolvimento, “fazendo mais com menos”. Porém, tradicionalmente, dividimos este processo em três fases: a Primeira Revolução Industrial (1750-1850), Segunda Revolução Industrial (1850-1950), e Terceira Revolução Industrial, que dura até os dias de hoje. Cada uma delas se diferencia pela tecnologia aplicada na produção, transporte e comunicação. Na primeira, ganham destaque os motores à vapor, na segunda a utilização de eletricidade e de motores de explosão, e na terceira a aplicação da informática, robótica, eletrônica e biotecnologia. O início de todo o processo da Primeira Revolução Industrial ocorreu graças aos investimentos de abastados comerciantes britânicos em novos estudos e tecnologias, sobretudo aqueles que lucravam com indústria têxtil. Dessa forma, a industrialização está diretamente ligada à economia da lã e do algodão. Este segundo era proveniente, principalmente, das colônias inglesas do sul na América do Norte, onde era produzido e colhido com mão de obra escravizada.

A máquina a vapor

Neste contexto, Thomas Newcomen desenvolve o que foi chamado de motor à vapor, que depois foi aperfeiçoado por James Watt. Essa tecnologia passou a ser aplicada em teares e outras máquinas da indústria têxtil, agilizando a produção e garantindo mais vendas. Depois, ela passou a ser aplicada também em outros setores da economia, inclusive nos transportes, fazendo surgir os barcos e as locomotivas à vapor. Assim, o carvão passou a ser um recurso natural valioso, já que ele era utilizado para vaporizar a água que ativava os motores. Mas, para o capitalismo industrial, tão importante quanto produzir é poder escoar a sua produção. O fato de a industrialização ter começado na Inglaterra tinha a vantagem de o país deter o monopólio maquinário, mas eles ainda precisavam de mercados consumidores no exterior. O contexto colonial na América prejudicava as vendas, já que o pacto colonial impedia aqueles territórios de comercializarem com outras nações que não suas metrópoles. Por conta disso, o Estado inglês apoiou o movimento de independência nas diferentes regiões do continente americano. Com o Brasil não foi diferente. Quando a família real portuguesa fugiu das invasões napoleônicas e vieram para o Brasil em 1807, os ingleses escoltaram os navios durante a viagem. Em troca, exigiram a abertura dos portos e privilégios tarifários para seus produtos. Isso foi possível porque a burguesia industrial inglesa ganhou mais influência no meio político e até ocupando cargos no próprio parlamento inglês.

Do campo para a cidade

Logo antes da época da Primeira Revolução Industrial ocorrera um êxodo rural na Inglaterra motivado pelo cercamento de antigas terras comunais e pela busca por trabalho na cidade. Isso criou uma grande massa de pessoas pobres e desempregadas. Como toda essa mudança se configurou primeiramente para ampliação de lucros, os direitos dos trabalhadores ainda não eram garantidos. Os pagamentos eram realizados diariamente nas fábricas ao término do serviço, que podia chegar à 16 horas por dia. Além disso, mulheres e crianças eram recrutadas para o trabalho nas fábricas, onde tinham remuneração inferior à dos homens por justificativa de produtividade, mesmo que isso não fosse sempre uma realidade. Acidentes de trabalhos eram frequentes, pois além das jornadas exaustivas também não havia a preocupação com segurança do trabalho, transformando diversas pessoas em mutilados que logo eram substituídos por outros desempregados. Não era raro o caso de mulheres grávidas darem à luz no chão de fábrica porque a ideia de que as pessoas precisariam se ausentar de suas funções para cuidar de sua saúde e dos recém-nascidos ia contra a lógica produtivista


A vida do trabalhador na Revolução Industrial

A Revolução Industrial trouxe grandes transformações para o planeta e permitiu o desenvolvimento da indústria e do capitalismo, como já vimos. Além disso, a vida dos trabalhadores, grupo que formava a camada mais baixa da sociedade inglesa, também se transformou radicalmente. Podemos citar o fato de que o processo de produção de mercadorias foi alterado e passou da manufatura para a maquinofatura. Isso significa que o trabalho deixou de ser artesanal para ser industrial, pois antes as roupas eram produzidas manualmente. Já com as máquinas, esse processo começou a acontecer de maneira industrializada. Assim, não era mais necessário que o trabalhador possuísse grandes habilidades manuais, pois o trabalho não era mais artesanal. A máquina era facilmente controlada e qualquer trabalhador poderia manejá-la. Na prática, o trabalho deixou de ser especializado e isso gerou redução salarial expressiva. A redução salarial não foi acompanhada, de maneira alguma, por redução no custo de vida. Sendo assim, os trabalhadores tinham as mesmas despesas, mas recebiam muito menos do que recebiam nos anos anteriores ao surgimento das máquinas. Soma-se a isso o fato de que muitos trabalhadores tinham jornadas de trabalho extremamente longas. O trabalho poderia se estender por 16 horas, com uma pausa para o almoço, durante todos os dias da semana. Além disso, os trabalhadores não podiam faltar ao expediente, pois, se isso acontecesse, o salário deles seria reduzido. Por fim, o ambiente de trabalho não era seguro e os acidentes com as máquinas eram frequentes. Essa situação precária no trabalho fez com que os trabalhadores se reunissem em sindicatos, cujo intuito era que se organizassem para defenderem os direitos da classe trabalhadora. Os sindicatos passaram a lutar por aumentos salariais, redução na carga diária de trabalho, direito de férias etc. Dois movimentos de trabalhadores de destaque do período foram o ludismo e o cartismo.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

SLIDES - TRABALHO INFANTIL REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

 









 






TEMA 04: TRABALHADORES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

 


A Revolução Industrial foi um marco para desvalorização do trabalho manual, pois muitos foram substituídos por máquinas, e os que trabalhavam na fábrica, só participavam de determinada fase da produção. O trabalho se tornava algo contínuo, repetitivo, mecanizado, por exemplo, se a função era bater um prego em determinado local do produto, era só isso que se fazia o dia inteiro, na mesma velocidade e ritmo. Muitos não sabiam nem qual era o produto final, e essa função muitas vezes não correspondia ao valor do que ele era capaz de produzir.

Mas não haviam opções, o trabalho nas fábricas era o que dominava nas cidades da Inglaterra, e aos artesãos que desejavam continuar seu trabalho manual, não era mais possível, pois não tinham condições de concorrer no mercado com os capitalistas. A relação entre os indivíduos começou a ser controlada pelo mercado, não haviam mais laços e relações comunitárias. A divisão de classes era fundamental para a operação do sistema, ou seja, a classe dos proprietários, e a classe dos proletariados.

As fábricas não eram ambientes adequados de trabalho, tinham péssimas condições de iluminação e ventilação. Não haviam medidas nem equipamentos de segurança para os operários, muitos se acidentavam e contraíam graves doenças. A média de vida dos trabalhadores era muito baixa comparada à de hoje. A jornada de trabalho chegava até 16 horas por dia, sem direito a descansos e férias. Os salários eram baixíssimos, garantindo ainda mais lucros aos proprietários, e a disciplina era rigorosa para manter o aumento da produção. Os trabalhadores não tinham direitos e nem o amparo social. Mulheres e crianças trabalhavam da mesma maneira que os homens, nas mesmas condições, mas o salário pago a eles era bem mais baixo. Portanto, era muito mais lucrativo contratá-los. E pelos baixos valores oferecidos, era fundamental que todos da família trabalhassem.

As condições de vida e de trabalho eram precárias, e por serem submetidos à tantas situações difíceis e sem escolha, os operários se uniram e começaram a organizar movimentos e revoltas. A qualidade de vida dos trabalhadores ingleses durante a Revolução Industrial era péssima, pois as condições de trabalho eram terríveis, os direitos trabalhistas eram praticamente inexistentes e não havia uma preocupação muito grande em relação à urbanização racional, higiênica e eficiente, de modo que os trabalhadores viviam amontoados em bairros imundos e em construções inadequadas. Por conta disto houve a difusão de muitas doenças infecciosas, como a cólera, que matou milhares de trabalhadores, muitos acidentes de trabalho e o avanço do alcoolismo, fator que é associado a uma tentativa por parte dos trabalhadores de vencer o cotidiano difícil. Eis alguns relatos:

(1) Os primeiros dias de setembro foram muito quentes. Os jornais noticiavam que homens e cavalos caiam mortos nos campos de produção agrícola. Ainda assim a temperatura nunca passava de 29°C durante a parte mais quente do dia. Qual era então a situação das pobre crianças que estavam condenadas a trabalhar quatorze horas por dia, em uma temperatura média de 28°C? Pode algum homem, com um coração em seu peito, e uma língua em sua boca, não se habilitar a amaldiçoar um sistema que produz tamanha escravidão e crueldade? (William Cobbett fez um artigo sobre uma visita a uma fábrica de tecidos feita em setembro de 1824)

(2) Pergunta: Os acidentes acontecem mais no período final do dia? Resposta: Eu tenho conhecimento de mais acidentes no início do dia do que no final. Eu fui, inclusive, testemunha de um deles. Uma criança estava trabalhando a lã, isso é, preparando a lã para a maquina; Mas a alça o prendeu, como ele foi pego de surpresa, acabou sendo levado para dentro do mecanismo; e nós encontramos de seus membros em um lugar, outro acolá, e ele foi cortado em pedaços; todo o seu corpo foi mandado para dentro e foi totalmente mutilado. (John Allett começou a trabalhar numa fábrica de tecidos quando tinha apenas quatorze anos. Foi convocado a dar um depoimento ao parlamento britânico sobre as condições de trabalho nas fábricas aos 53 anos)

(3) Eu tive freqüentes oportunidades de ver pessoas saindo das fábricas e ocasionalmente as atendi como pacientes. No último verão eu visitei três fábricas de algodão com o Dr. Clough, da cidade de Preston, e com o sr. Barker, de Manchester e nós não pudemos ficar mais do que dez minutos na fábrica sem arfar (ficar sem ar) para respirar. Como é possível para aquelas pessoas que ficam lá por doze ou quinze horas agüentar essa situação? Se levarmos em conta a alta temperatura e também a contaminação do ar; é alguma coisa que me surpreende: como os trabalhadores agüentam o confinamento por tanto tempo. (O Dr. Ward, de Manchester, foi entrevistado a respeito da saúde dos trabalhadores do setor têxtil em março de 1919)

(4) Aproximadamente uma semana depois de me tornar um trabalhador no moinho, fui acometido por uma forte e pesada doença da qual poucos escapavam ao se tornarem trabalhadores nas fábricas. A causa dessa doença, que é conhecida pelo nome de “febre dos moinhos”, é a atmosfera contaminada produzida pela respiração de tantas pessoas num pequeno e reduzido espaço; também pela temperatura alta e os gases exalados pela graxa e óleo necessários para iluminar o ambiente. (Esse depoimento faz parte do livro “Capítulos da vida de um garoto nas fábricas de Dundee”, de Frank Forrest)

(5) Nosso período regular de trabalho ia das cinco da manhã até as nove ou dez da noite. No sábado, até as onze, às vezes meia-noite, e então éramos mandados para a limpeza das máquinas no domingo. Não havia tempo disponível para o café da manhã e não se podia sentar para o jantar ou qualquer tempo disponível para o chá da tarde. Nós íamos para o moinho às cinco da manhã e trabalhávamos até as oito ou nove horas quando vinha o nosso café, que consistia de flocos de aveia com água, acompanhado de cebolas e bolo de aveia tudo amontoado em duas vasilhas. Acompanhando o bolo de aveia vinha o leite. Bebíamos e comíamos com as mãos e depois voltávamos para o trabalho sem que pudéssemos nem ao menos nos sentar para a refeição. (O jornal Ashton Chronicle entrevistou John Birley em maio de 1849)

(6) Na primavera de 1840, eu comecei a sentir dores no meu pulso direito, essa dor vinha da fraqueza geral de minhas juntas, o que vinha acontecendo desde minha entrada na fábrica. A sensação de dor só aumentava. O pulso chegava a inchar muito chegando a medir até 12 polegadas ao mesmo tempo em que meu corpo não era mais do que ossos. Eu entrei no hospital St. Thomas no dia 18 de julho para operar. A mão foi extraída um pouco abaixo do cotovelo. A dissecação fez com que os ossos do antebraço passassem a ter uma curiosa aparência – algo como uma colméia vazia – com o mel tendo desaparecido totalmente. (William Dodd escreveu sobre sua situação como criança trabalhadora acidentada no trabalho em seu panfleto “Narrativa de uma criança aleijada” no ano de 1841)

(7) Quando eu tinha sete anos de idade fui trabalhar na fábrica do Sr. Marshall em Shrewsbury. Se uma criança se mostrasse sonolenta o responsável pelo turno a chamava e dizia, “venha aqui”. Num canto da sala havia uma cisterna de ferro cheia de água. Ele pegava a criança pelas pernas e a mergulhava na cisterna para depois manda-la de volta ao trabalho. (Jonathan Downe foi entrevistado por um representante do parlamento britânico em junho de 1832)

(8) Eu trabalhava das cinco da manhã até as nove da noite. Eu vivia a duas milhas do moinho. Nós não tínhamos relógio. Se eu chegasse atrasado ao moinho eu seria punido com descontos em meu pagamento. Eu quero dizer com isso que se chegasse quinze minutos atrasado, meia hora de meu pagamento seria retirado. Eu só ganhava um penny por hora, e eles iriam tirar metade disso. (Elizabeth Bentley foi entrevistada por representantes do parlamento britânico em junho de 1832)

(9) A tarefa que inicialmente foi dada a Robert Blincoe era a de pegar o algodão que caía no chão. Aparentemente nada poderia ser mais fácil… Mesmo assim ele ficava apavorado pelo movimento das máquinas e pelo barulho dos motores. Ele também não gostava da poeira e do cano que soltava fumaça, pois acabava se sentindo sufocado. Ele logo ficou doente e em virtude disso constantemente parava de trabalhar porque suas costas doíam. Isso motivou Blincoe a se sentar; mas essa atitude, ele logo descobriu, era proibida nos moinhos. (As experiências vividas por John Brown numa fábrica de tecidos foram publicadas num artigo do jornal The Lion)

(10) São constantes as informações sobre crianças que trabalham em fábricas e que são cruelmente agredidas pelos supervisores a ponto de seus membros se tornarem distorcidos pelo constante ficar de pé e curvar-se (para apanhar). Por isso eles crescem e se tornam aleijados. Eles são obrigados a trabalhar treze, quatorze ou até quinze horas por dia. (Trecho do livro “A História da produção de algodão”, de Edward Baines)

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL_SLIDES

 


















TEMA 04: REVOLUÇÃO INUSTRIAL

 


A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII e que se espalhou pelo mundo, causando grandes transformações. Ela garantiu o surgimento da indústria e consolidou o processo de formação do capitalismo.

O nascimento da indústria causou grandes transformações na economia mundial, assim como no estilo de vida da humanidade, uma vez que acelerou a produção de mercadorias e a exploração dos recursos da natureza. Além disso, foi responsável por grandes transformações no processo produtivo e nas relações de trabalho.

A Revolução Industrial foi iniciada de maneira pioneira na Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII, e atribui-se esse pioneirismo aos ingleses pelo fato de que foi lá que surgiu a primeira máquina a vapor, em 1698, construída por Thomas Newcomen e aperfeiçoada por James Watt, em 1765. O historiador Eric Hobsbawm, inclusive, acredita que a Revolução Industrial só foi iniciada de fato na década de 1780|1|.

Uma das principais invenções da Primeira Revolução Industrial foi a locomotiva a vapor.
Uma das principais invenções da Primeira Revolução Industrial foi a locomotiva a vapor.

O avanço tecnológico característico da Revolução Industrial permitiu um grande desenvolvimento de maquinário voltado para a produção têxtil, isto é, de roupas. Com isso, uma série de máquinas, como a “spinning Jenny”, “spinning frame”, “water frame” e a “spinning mule”, foram criadas para tecer fios. Com essas máquinas, era possível tecer uma quantidade de fios que manualmente exigiria a utilização de várias pessoas.

Posteriormente, no começo do século XIX, o desenvolvimento tecnológico foi utilizado na criação da locomotiva e das estradas de ferro, que, a partir da década de 1830, foram construídas por toda a Inglaterra. A construção das estradas de ferro contribuiu para ampliar o crescimento industrial, uma vez que diminuiu as distâncias, ao tornar as viagens mais curtas, e ampliou a capacidade de locomoção de mercadorias.

O desenvolvimento das estradas de ferro aproveitou aprosperidade da indústria inglesa, uma vez que os financiadores de sua construção foram exatamente os capitalistas que prosperaram na Revolução Industrial. Isso porque a indústria inglesa não conseguia absorver todo o excedente de capital, fazendo com que os investimentos nas estradas de ferro acontecessem.

terça-feira, 2 de maio de 2023

TEMA 4: REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E TRABALHO INFANTIL



Chamamos de Revolução Industrial o processo de transformações que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. Sua principal característica foi a substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico (ou artesanal) pelo sistema fabril.
Na estrutura socioeconômica, fez-se a separação definitiva entre o capital, representado pelos donos dos meios de produção, e o trabalho, representado pelos assalariados. Com isso, houve um grande estímulo à migração para áreas urbanas levaram um significativo contingente de pessoas a procurarem nas fábricas uma oportunidade de sobrevivência. Nesse contexto, os trabalhadores eram submetidos a péssimas condições de trabalho, com altas jornadas de trabalho e atividades de alto risco. A baixa remuneração exigia do trabalhador a inserção de toda a sua família, incluindo mulheres e crianças, no trabalho para a garantia da sobrevivência.
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 Na Revolução Industrial o carvão era algo vital, pois sem este não tinha como mover as máquinas a vapor, as caldeiras e outros equipamentos. É nas minas de carvão que existia um acentuado foco do trabalho infantil. As crianças mais novas, muitas vezes trabalhavam em alçapões. Sentavam-se em um buraco cavado por eles com uma corda que estava presa à porta. Quando ouviam os vagões de carvão que tinham vindo para abrir a porta, puxando uma corda. As crianças mais velhas podem ser utilizadas como portadores de "carvão" que transportam cargas de carvão em suas costas, em cestos grandes. Túneis profundos eram mais difíceis de abrir. Nesse caso, fazia-se um pequeno buraco e colocava-se uma criança, de 5 a 7 anos, para escavá-lo. Para recolher o carvão extraído, o pequeno funcionário levava um carrinho amarrado ao pé. As minas de carvão eram locais geralmente úmido com poucas correntes de ar, onde os telhados, por vezes, cediam, explosões aconteciam e os trabalhadores tinham todos os tipos de lesões.
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 O trabalho infantil se intensificou, principalmente em fábricas têxteis da Inglaterra. Na maioria delas, os teares movidos por energia exigiam menos trabalhadores qualificados, e a busca constante por mão de obra barata para diminuir os custos da produção abriu espaço para as crianças. Na época, espremidas em lugares apertados, elas realizavam tarefas simples e repetitivas, pelas quais recebiam somente 1/10 daquilo que seria pago aos homens, em turnos que duravam mais de 12 horas, inclusive à noite.
Eram comuns acidentes de trabalho e problemas sérios de saúde gerados pela alimentação deficiente, o cansaço, a insalubridade e o esforço exagerado que era exigido dos trabalhadores nas fábricas. Era comum um grande número de crianças trabalhando em todas as atividades das indústrias, sozinhas ou junto com suas famílias. Karl Marx registrou:
Milhares de braços tornaram-se de súbito necessários. [...] Procuravam-se principalmente pelos pequenos e ágeis. [...] Muitos, milhares desses pequenos seres infelizes, de sete a treze ou quatorze anos foram despachados para o norte. O costume era o mestre (o ladrão de crianças) vestí-los, alimentá-los e alojá-los na casa de aprendizes junto a fábrica. Foram designados supervisores para lhes vigiar o trabalho. Era interesse destes feitores de escravos fazerem as crianças trabalhar o máximo possível, pois sua remuneração era proporcional à quantidade de trabalho que deles podiam extrair. (...) Os lucros dos fabricantes eram enormes, mais isso apenas aguçava-lhes a voracidade lupina. Começaram então a prática do trabalho noturno, revezando, sem solução de continuidade, a turma do dia pelo da noite o grupo diurno ia se estender nas camas ainda quentes que o grupo noturno ainda acabara de deixar, e vice e versa. Todo mundo diz em Lancashire, que as camas nunca esfriam.
O trabalho infantil foi muito utilizado porque as famílias necessitavam aumentar a renda e as crianças ajudavam. Para os donos de empresa foi um fator benéfico pois contrataram demasiadamente essa parcela da população e pelo fato de serem crianças os pagavam mal e essas mesmas crianças não tinham como se reunir em sindicatos nem pensavam em greve. Em 1789, somente na nova fábrica de fiação do inglês Richard Arkwright, entre 1.150 trabalhadores, dois terços eram crianças. Em pleno século XX esse tipo de prática ainda era comum, tanto que, antes de 1940, trabalhadores mirins já atuavam na Europa, Estados Unidos e várias colônias de potências europeias. De forma deplorável, muitos deles perderam a infância, a saúde e até a vida, ao serem transformados em mais um produto rentável da Revolução Industrial.
Abaixo temos um registro fotográficos dessa triste realidade, onde as fotos variam de 1900 até 1940:
Menina de 7 anos no cantão de Schwyz, por volta de 1900.

Menina ao lado das máquinas de tecelagem em Forida, por volta de 1908.











Antônio Miranda de Freitas Júnior - Historiador & Poeta


CURIOSA HISTÓRIA, NÃO É MESMO?
Crianças garimpeiras de carvão de Hughestown, E.U.A 1911.

 

PLANO ANUAL HISTORIA 8ª ANO - SIGEDUC

  PLANO ANUAL OBJETOS DE CONHECIMENTO: 1º BIMESTRE: Iluminismo; Mulheres Iluministas; Despotismo Esclarecido; Religião Naturalista: Deí...