Algumas mulheres, como Olympe de Gouges e Constance de Salm conseguiram lutar contra o machismo e escreveram obras durante o Iluminismo..Qual o lugar das mulheres na luta pelos princípios iluministas de liberdade e igualdade? Elas fizeram parte desta corrente de pensamento e foram contempladas nas Constituições modernas? O papel das mulheres no iluminismo é debatido, uma vez que é reconhecido que as mulheres, durante esta época não eram consideradas de status igualitário aos homens, e muito de seus trabalhos e esforços foram suprimidos. Mesmo assim, salões, cafés, sociedades de debates, competições acadêmicas e impressos tornaram-se avenidas para as mulheres socializarem, aprenderem e discutirem ideias iluministas. Para muitas mulheres, essas avenidas promoveram seus papéis na sociedade e criaram degraus para o progresso futuro.
O iluminismo veio para promover ideais de liberdade, progresso e tolerância. Para aquelas mulheres que foram capazes de discutir e promover novos ideais, discursos sobre religião, igualdade política e social e sexualidade tornaram-se tópicos proeminentes nos salões, sociedades de debate e na imprensa. Enquanto as mulheres na Inglaterra e na França ganharam, indiscutivelmente, mais liberdade; em contrapartida, nos outros países, o papel das mulheres no iluminismo era tipicamente reservado para as famílias de classe média e também de classe alta no contexto educacional para participar do debate. Portanto, as mulheres no iluminismo representavam apenas uma pequena classe da sociedade e não todas do sexo feminino.
Contexto das mulheres no Iluminismo
“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. A frase de Simone de Beauvoir, escrita no segundo volume do seu livro “O segundo sexo”, que já foi tema de questão no Enem de 2015, sintetiza uma reflexão profunda: viemos ao mundo como seres humanos. Mas são a cultura e a sociedade, e não a natureza, que produzem as mulheres. Beauvoir é uma autora do século XX, portanto, posterior à construção do pensamento iluminista. Todavia, sua frase traz uma importante lição para nós que desejamos conhecer um pouco mais da história das mulheres no Iluminismo (e na sociedade em si). Elas são seres humanos cuja compreensão de si e do mundo, assim como os homens, é afetada por uma estrutura secular denominada patriarcado.
Diferença entre gênero e sexo
Posteriormente outras autoras como Judith Butler, Michelle Perrot e Joan Scott vieram contribuir ainda mais para os estudos de gênero.Primeiramente, façamos uma importante distinção: o termo sexo diz respeito às determinações e diferenças sexuais e, por tanto, biológicas dos corpos. Enquanto o gênero diz respeito às determinações comportamentais e simbólicas impostas pela sociedade e cultura. Desta forma, em cada período histórico esperava-se que homens e mulheres se comportassem de maneiras distintas e específicas.Isso nem sempre ocorria, pois o gênero também é um instrumento de poder e nem sempre os sujeitos históricos curvam-se diante de imposições como esta o tempo todo.
Entender estes conceitos é necessário para compreender como as mulheres não foram passíveis durante toda a história e puderam, entre outras coisas, produzir conhecimento em períodos amplamente adversos à sua liberdade.
A condição da mulher ocidental na modernidade
Na antiguidade ocidental, o papel atribuído à maioria das mulheres nas diferentes sociedades foi o de reprodutoras e cuidadoras do lar. Isto não impediu que elas exercessem cargos políticos, se tornassem intelectuais e guerreassem, mas tornou muito mais difícil que estas situações ocorressem. Por este motivo não costumamos ver muitos nomes de mulheres no Iluminismo e muitos outros assuntos na internet.
SALÕES LITERÁRIOS
Os salões eram um fórum no qual mulheres na elite da classe social e bem alfabetizadas podiam continuar seu aprendizado em um lugar de conversação civil, enquanto governavam o discurso político e um lugar onde pessoas de todas as ordens sociais podiam interagir.
No século XVIII, sob a orientação de Madame Geoffrin, Mademoiselle de Lespinasse e Madame Necker, o salão foi transformado de local de lazer em local de iluminação. No salão não havia aula formal ou barreira de educação para impedir que os participantes participassem de discussões abertas. Ao longo do século XVIII, o salão serviu de matriz para os ideais iluministas. As mulheres eram importantes nessa função porque assumiam o papel de salões literários.
Salões da França eram montados por um pequeno número de mulheres com classe que se preocupavam com a educação e com a promoção das filosofias do Iluminismo. Os salões eram realizados em uma casa particular ou em uma sala de jantar de hotel. Houve uma refeição, e o discurso ocorreu depois. Durante a refeição, o foco estaria no discurso entre o patrocínio artístico do que no jantar.
Os salões tinham uma estrutura social hierárquica onde as posições sociais eram mantidas, mas sob diferentes regras de conversação destinadas a limitar mal-entendidos e conflitos. Os participantes eram muitas vezes pessoas de diferentes níveis sociais, permitindo que os plebeus interagissem com pessoas de status mais elevado. Muitas pessoas usaram opiniões da moda para subir na hierarquia social.
Dentro da hierarquia dos salões, as mulheres assumiam um papel de governança. Inicialmente uma instituição de recreação, os salões tornaram-se uma instituição ativa do iluminismo. Suzanne Necker, esposa do ministro das Finanças de Luís XVI, dá um exemplo de como os temas dos salões podem ter influenciado a política oficial do governo. Alguns acreditam que os salões realmente reforçaram ou apenas tornaram suportáveis as diferenças de gênero e sociais. Os salões permitiam que pessoas de diferentes classes sociais conversassem, mas nunca como iguais. As mulheres nos salões eram ativas de maneira semelhante às mulheres da sociedade tradicional da corte como protetorados, ou socialmente ativas, pois sua presença encorajava a atividade civil e educada. Além disso, os salões muitas vezes não eram usados para fins educacionais, mas como forma de socializar e entreter.