Chamamos de
Revolução Industrial o processo de transformações que aconteceram na Europa nos
séculos XVIII e XIX. Sua principal característica foi a substituição das
ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de
produção doméstico (ou artesanal) pelo sistema fabril.
Na estrutura socioeconômica,
fez-se a separação definitiva entre o capital, representado pelos donos dos
meios de produção, e o trabalho, representado pelos assalariados. Com isso,
houve um grande estímulo à migração para áreas urbanas levaram um significativo
contingente de pessoas a procurarem nas fábricas uma oportunidade de
sobrevivência. Nesse contexto, os trabalhadores eram submetidos a péssimas
condições de trabalho, com altas jornadas de trabalho e atividades de alto
risco. A baixa remuneração exigia do trabalhador a inserção de toda a sua
família, incluindo mulheres e crianças, no trabalho para a garantia da
sobrevivência.
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Na Revolução
Industrial o carvão era algo vital, pois sem este não tinha como mover as
máquinas a vapor, as caldeiras e outros equipamentos. É nas minas de carvão que
existia um acentuado foco do trabalho infantil. As crianças mais novas, muitas
vezes trabalhavam em alçapões. Sentavam-se em um
buraco cavado por eles com uma corda que estava presa à porta. Quando ouviam os
vagões de carvão que tinham vindo para abrir a porta, puxando uma corda. As crianças mais
velhas podem ser utilizadas como portadores de "carvão" que
transportam cargas de carvão em suas costas, em cestos grandes. Túneis
profundos eram mais difíceis de abrir. Nesse caso, fazia-se um pequeno buraco e
colocava-se uma criança, de 5 a 7 anos, para escavá-lo. Para recolher o carvão
extraído, o pequeno funcionário levava um carrinho amarrado ao pé. As minas de
carvão eram locais geralmente úmido com poucas correntes de ar, onde os telhados, por vezes, cediam, explosões
aconteciam e os trabalhadores tinham todos os tipos de lesões.
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O trabalho
infantil se intensificou, principalmente em fábricas têxteis da Inglaterra. Na
maioria delas, os teares movidos por energia exigiam menos trabalhadores
qualificados, e a busca constante por mão de obra barata para diminuir os
custos da produção abriu espaço para as crianças. Na época, espremidas em
lugares apertados, elas realizavam tarefas simples e repetitivas, pelas quais
recebiam somente 1/10 daquilo que seria pago aos homens, em turnos que duravam
mais de 12 horas, inclusive à noite.
Eram comuns
acidentes de trabalho e problemas sérios de saúde gerados pela alimentação
deficiente, o cansaço, a insalubridade e o esforço exagerado que era exigido
dos trabalhadores nas fábricas. Era comum um grande número de crianças trabalhando em
todas as atividades das indústrias, sozinhas ou junto com suas famílias. Karl
Marx registrou:
Milhares de braços
tornaram-se de súbito necessários. [...] Procuravam-se principalmente pelos pequenos
e ágeis. [...] Muitos, milhares desses pequenos seres infelizes, de sete a
treze ou quatorze anos foram despachados para o norte. O costume era o mestre
(o ladrão de crianças) vestí-los, alimentá-los e alojá-los na casa de
aprendizes junto a fábrica. Foram designados supervisores para lhes vigiar o
trabalho. Era interesse destes feitores de escravos fazerem as crianças
trabalhar o máximo possível, pois sua remuneração era proporcional à quantidade
de trabalho que deles podiam extrair. (...) Os lucros dos fabricantes eram
enormes, mais isso apenas aguçava-lhes a voracidade lupina. Começaram então a
prática do trabalho noturno, revezando, sem solução de continuidade, a turma do
dia pelo da noite o grupo diurno ia se estender nas camas ainda quentes que o
grupo noturno ainda acabara de deixar, e vice e versa. Todo mundo diz em
Lancashire, que as camas nunca esfriam.
O
trabalho
infantil foi muito utilizado porque as famílias necessitavam aumentar a
renda e as crianças ajudavam. Para os donos de empresa foi um fator
benéfico pois
contrataram demasiadamente essa parcela da população e pelo fato de
serem
crianças os pagavam mal e essas mesmas crianças não tinham como se
reunir em sindicatos
nem pensavam em greve. Em 1789, somente na nova fábrica de fiação do
inglês
Richard Arkwright, entre 1.150 trabalhadores, dois terços eram crianças.
Em
pleno século XX esse tipo de prática ainda era comum, tanto que, antes
de 1940,
trabalhadores mirins já atuavam na Europa, Estados Unidos e várias
colônias de
potências europeias. De forma deplorável, muitos deles perderam a
infância, a
saúde e até a vida, ao serem transformados em mais um produto rentável
da
Revolução Industrial.
Abaixo temos um registro fotográficos dessa triste realidade, onde as fotos variam de 1900 até 1940:
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| Menina de 7 anos no cantão de Schwyz, por volta de 1900. |
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| Menina ao lado das máquinas de tecelagem em Forida, por volta de 1908. |
Antônio Miranda de
Freitas Júnior - Historiador & Poeta
CURIOSA HISTÓRIA, NÃO É MESMO?
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| Crianças garimpeiras de carvão de Hughestown, E.U.A 1911. |














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