terça-feira, 2 de maio de 2023

TEMA 4: REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E TRABALHO INFANTIL



Chamamos de Revolução Industrial o processo de transformações que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. Sua principal característica foi a substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico (ou artesanal) pelo sistema fabril.
Na estrutura socioeconômica, fez-se a separação definitiva entre o capital, representado pelos donos dos meios de produção, e o trabalho, representado pelos assalariados. Com isso, houve um grande estímulo à migração para áreas urbanas levaram um significativo contingente de pessoas a procurarem nas fábricas uma oportunidade de sobrevivência. Nesse contexto, os trabalhadores eram submetidos a péssimas condições de trabalho, com altas jornadas de trabalho e atividades de alto risco. A baixa remuneração exigia do trabalhador a inserção de toda a sua família, incluindo mulheres e crianças, no trabalho para a garantia da sobrevivência.
.
 Na Revolução Industrial o carvão era algo vital, pois sem este não tinha como mover as máquinas a vapor, as caldeiras e outros equipamentos. É nas minas de carvão que existia um acentuado foco do trabalho infantil. As crianças mais novas, muitas vezes trabalhavam em alçapões. Sentavam-se em um buraco cavado por eles com uma corda que estava presa à porta. Quando ouviam os vagões de carvão que tinham vindo para abrir a porta, puxando uma corda. As crianças mais velhas podem ser utilizadas como portadores de "carvão" que transportam cargas de carvão em suas costas, em cestos grandes. Túneis profundos eram mais difíceis de abrir. Nesse caso, fazia-se um pequeno buraco e colocava-se uma criança, de 5 a 7 anos, para escavá-lo. Para recolher o carvão extraído, o pequeno funcionário levava um carrinho amarrado ao pé. As minas de carvão eram locais geralmente úmido com poucas correntes de ar, onde os telhados, por vezes, cediam, explosões aconteciam e os trabalhadores tinham todos os tipos de lesões.
.
 O trabalho infantil se intensificou, principalmente em fábricas têxteis da Inglaterra. Na maioria delas, os teares movidos por energia exigiam menos trabalhadores qualificados, e a busca constante por mão de obra barata para diminuir os custos da produção abriu espaço para as crianças. Na época, espremidas em lugares apertados, elas realizavam tarefas simples e repetitivas, pelas quais recebiam somente 1/10 daquilo que seria pago aos homens, em turnos que duravam mais de 12 horas, inclusive à noite.
Eram comuns acidentes de trabalho e problemas sérios de saúde gerados pela alimentação deficiente, o cansaço, a insalubridade e o esforço exagerado que era exigido dos trabalhadores nas fábricas. Era comum um grande número de crianças trabalhando em todas as atividades das indústrias, sozinhas ou junto com suas famílias. Karl Marx registrou:
Milhares de braços tornaram-se de súbito necessários. [...] Procuravam-se principalmente pelos pequenos e ágeis. [...] Muitos, milhares desses pequenos seres infelizes, de sete a treze ou quatorze anos foram despachados para o norte. O costume era o mestre (o ladrão de crianças) vestí-los, alimentá-los e alojá-los na casa de aprendizes junto a fábrica. Foram designados supervisores para lhes vigiar o trabalho. Era interesse destes feitores de escravos fazerem as crianças trabalhar o máximo possível, pois sua remuneração era proporcional à quantidade de trabalho que deles podiam extrair. (...) Os lucros dos fabricantes eram enormes, mais isso apenas aguçava-lhes a voracidade lupina. Começaram então a prática do trabalho noturno, revezando, sem solução de continuidade, a turma do dia pelo da noite o grupo diurno ia se estender nas camas ainda quentes que o grupo noturno ainda acabara de deixar, e vice e versa. Todo mundo diz em Lancashire, que as camas nunca esfriam.
O trabalho infantil foi muito utilizado porque as famílias necessitavam aumentar a renda e as crianças ajudavam. Para os donos de empresa foi um fator benéfico pois contrataram demasiadamente essa parcela da população e pelo fato de serem crianças os pagavam mal e essas mesmas crianças não tinham como se reunir em sindicatos nem pensavam em greve. Em 1789, somente na nova fábrica de fiação do inglês Richard Arkwright, entre 1.150 trabalhadores, dois terços eram crianças. Em pleno século XX esse tipo de prática ainda era comum, tanto que, antes de 1940, trabalhadores mirins já atuavam na Europa, Estados Unidos e várias colônias de potências europeias. De forma deplorável, muitos deles perderam a infância, a saúde e até a vida, ao serem transformados em mais um produto rentável da Revolução Industrial.
Abaixo temos um registro fotográficos dessa triste realidade, onde as fotos variam de 1900 até 1940:
Menina de 7 anos no cantão de Schwyz, por volta de 1900.

Menina ao lado das máquinas de tecelagem em Forida, por volta de 1908.











Antônio Miranda de Freitas Júnior - Historiador & Poeta


CURIOSA HISTÓRIA, NÃO É MESMO?
Crianças garimpeiras de carvão de Hughestown, E.U.A 1911.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PLANO ANUAL HISTORIA 8ª ANO - SIGEDUC

  PLANO ANUAL OBJETOS DE CONHECIMENTO: 1º BIMESTRE: Iluminismo; Mulheres Iluministas; Despotismo Esclarecido; Religião Naturalista: Deí...