domingo, 29 de outubro de 2023

REPÚBLICA VELHA (1889-1930) CORONELISMO E OLIGARQUIAS

 

O Coronelismo

A consolidação do modelo republicano federalista e a ascendência das oligarquias agrárias ao poder fez surgir um dos mais característicos fenômenos sociais e políticos do período: o coronelismo. O fenômeno do coronelismo expressou as particularidades do desenvolvimento social e político do Brasil. Ele foi resultado da coexistência das formas modernas de representação política (o sufrágio universal) e de uma estrutura fundiária arcaica baseada na grande propriedade. O Coronelismo representou um momento da história do Brasil em que os coronéis tinham poder sobre todos os aspectos sociais das regiões que habitavam, especialmente no interior do Nordeste. Datado do final do século XIX e início do XX, o coronelismo foi protagonizado pelos latifundiários, militares e fazendeiros.

O coronelismo surge em um período de transição. Estava chegando ao fim o período da monarquia e estava em ascensão a instauração da política governamental. Para garantir a manutenção desse modelo político, era necessário garantir votos. Dessa forma, o Estado se comprometia a favorecer os coronéis com poder em suas regiões e em troca, os coronéis conseguiam os votos da população. Foi assim que teve início um estilo de manipulação que ficou conhecido como “voto de cabresto”. Com o coronelismo atuante, não existia a possibilidade de autonomia política. Deputados, presidentes e governadores permaneciam em seus cargos por longos períodos ou trocavam por candidatos do mesmo grupo. E era justamente a ação coronelista que tornava isso possível. As milícias atuavam no interior do estado a mando dos fazendeiros aterrorizando a população das cidades e vilarejos que, acuada, não encontrava outra saída senão consentir.

Características do coronelismo

A palavra “coronelismo”, como ele mesmo indica, vem de “coronel”. Precisamente de coronel da guarda nacional. O cargo era utilizado para denominar os cargos que as elites poderiam ocupar dentro do escalão militar e social brasileiro. A velha República se constituiu a partir de um golpe militar. Na intenção de fortalecer as forças locais e extinguir as rebeliões que aconteciam em todo o país, eles concediam poder às milícias regionais.

• Economia

A economia nacional era majoritariamente rural, e os grandes fazendeiros, que já que além de ricos eram influentes, compravam títulos militares para garantir outros. Eles arbitravam sobre a política tomavam decisões que afetavam boa parte da população, principalmente às de classe pobre. Sem ter muitas opções, os habitantes desses lugares deviam obediência e lealdade aos coronéis. Esse regime era mais forte no interior da Região Nordeste porque aquela região era menos valorizada pelos governos. Sendo assim, algumas pessoas da população local entendiam que votando nos “apadrinhados” pelos coronéis, a região poderia se desenvolver. O direito de voto estava assegurado pela Constituição, mas o fato da grande maioria dos eleitores habitarem o interior (a população sertaneja e camponesa) e serem muito pouco politizados levou os proprietários agrários a controlar o voto e o processo eleitoral em função de seus interesses. O "coronel" (geralmente um proprietário de terra) foi a figura chave no processo de controle do voto da população rural. Temido e respeitado, a influência e o poder político do coronel aumentavam a medida em que ele conseguisse assegurar o voto dos eleitores para os seus candidatos. Por meio do emprego da violência e também da barganha (troca de favores), 

 

 

 

 

 

 

 

• Voto de cabresto

 O coronelismo ganhou forma nos primeiros anos da República, também chamada de República Velha ou Primeira República. Seu caráter controlador atingia principalmente o processo político. Os coronéis eram extremamente manipuladores. Já que tinham poder absoluto das regiões, agiam acima da lei.  A manutenção do poder dos coronéis e seus candidatos era o maior interesse desse grupo. Para isso, eles precisavam garantir a vitória nas eleições. No coronelismo, a população era obrigada a votar nos candidatos que já tinham sido determinados pelos coronéis, que também eram os seus empregadores. Não eram raros os casos em que eles utilizavam de ameaças e violência física e psicológica para fazer com que os eleitores votassem nos políticos já determinados. Naquele período, boa parte dos trabalhadores rurais eram ex- escravos que mesmo após a abolição, não tinham condições de viver sem a condição de subordinado. O outro grupo do proletariado era formado por europeus que tinham chegado ao Brasil a trabalho. Naquela época o voto não era secreto, então havia a possibilidade de identificar o eleitor e em quem ele tinha votado. Surge também a figura do jagunço. Um funcionário do coronel contratado para fiscalizar a votação. Se um eleitor mudasse o voto na hora, o jagunço estava autorizado a agir com violência. Além disso boa parte da população era analfabeta. Às vezes os próprios coronéis ou seus empregados escreviam o nome do candidato na intenção de tornar o trabalho mais fácil. O voto também podia ser comprado. Como já explicado, os eleitores tinham esperança de que a região fosse mais desenvolvida. Além disso, os coronéis prometiam recompensas (bens ou dinheiro) àqueles que votassem nos seus candidatos. Ainda existia o fato de que o coronel responsável pelo município não poderia ser contra a um coronel do estado, ou poderia sofrer com a verba de cortes resultando na perda de votos. Era assim que a máquina-político administrativa do governo trabalhava. Eram raras as vezes que candidatos de oposição conseguiam ganhar eleição, e nesses casos, eles tinham que lidar com o sistema que estava contra eles.

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