
O tráfico negreiro trazia forçadamente africanos para serem escravizados no Brasil e, ao longo de 300 anos dessa prática, quase cinco milhões de africanos desembarcaram aqui. O tráfico negreiro foi uma atividade realizada entre os séculos XV ao XIX. Os prisioneiros africanos eram comprados nas regiões litorâneas da África para serem escravizados no continente europeu e no continente americano. Essa migração forçada resultou na chegada de milhões de cativos africanos ao Brasil. O tráfico passou a ser proibido em terras brasileiras somente em 1850, por meio da Lei Eusébio de Queirós.
A maior parte dos escravos que aportavam inicialmente no Brasil provinha das colônias portuguesas na África. Eram negros capturados nas guerras tribais e negociados com os traficantes em troca de produtos como a aguardente, fumo e outros. O tráfico de escravos não era exclusividade dos portugueses, pois ingleses, holandeses, espanhóis e até norte-americanos se beneficiavam desse comércio, que era altamente lucrativo. Os riscos dessa atividade estavam nos perigos dos oceanos e nas doenças que algumas vezes chegavam a dizimar um terço dos escravos transportados.
Os portos que recebiam maior número de escravos no Brasil eram Salvador, Rio de Janeiro e Recife; desses portos os escravos eram transportados aos mais diversos locais do Brasil. Algumas outras cidades recebiam escravos vindos diretamente da África, como Belém, São Luís, Santos, Campos e outras. A proporção de desembarque de escravos em cada porto variou ao longo de 380 anos de escravidão, dependendo do aquecimento da atividade econômica na região servida pelo porto em questão. Durante o ciclo áureo da cana-de-açúcar do Nordeste, os portos de Recife e Salvador recebiam o maior número de escravos, mas, durante o ciclo do ouro em Minas Gerais, coube ao Rio de Janeiro receber o maior número de escravos.
Alguns fatores influenciaram para que a escolha fosse por escravizar os africanos, principalmente. Em primeiro lugar, a forma de produção dos indígenas não era condizente com a do sistema mercantilista europeu, pois estavam acostumados a produzir apenas para o próprio consumo. Por não entender a função desse tipo de trabalho exaustivo, a mão-de-obra indígena tornou-se menos eficaz. Enquanto isso, grande parte da população africana já trabalhava em um sistema de produção mercantilista aplicado nas ilhas e costa africanas. É importante pontuar que já existia escravidão na África antes da escravização imposta pelos europeus. Entretanto, eram práticas distintas, e a escravidão empreendida por portugueses, espanhóis, holandeses e ingleses tornou-se um intenso negócio lucrativo.
Outro fator importante que impulsionou a busca por mão-de-obra na África, foi o fato de que a Coroa não permitia a escravização dos nativos no Brasil. Isso porque, desde os primeiros anos da colônia, grande parte dos indígenas fora catequizada pelos jesuítas, que os consideravam “homens com alma”, apesar de atrasados. Os negros africanos, ao contrário, eram considerados pelos jesuítas como “homens sem alma”. A própria Igreja Católica justificava a escravidão africana, alegando que os negros africanos sofriam de uma maldição bíblica, a expulsão de Cam e seus filhos por Noé e a determinação de que estes seriam sempre escravos dos senhores das terras. Segundo a passagem bíblica, estes servos estariam para sempre marcados pela pele. Em nenhum momento, a passagem diz que a marca era a pele negra. Entretanto, a Igreja Católica prontamente fez essa interpretação a fim de desumanizar os negros africanos e justificar as violências que sobre eles eram acometidas.
Como funcionava o tráfico negreiro
O tráfico negreiro envolvendo os europeus iniciou-se no século XV, quando os portugueses instalaram feitorias pelo litoral do continente africano. Nessas feitorias, os portugueses mantinham contato com os reinos africanos, estabelecendo relações diplomáticas que os possibilitavam manter comércio, ao qual se incluía a venda de seres humanos. Com o tempo, outras nações europeias começaram a envolver-se com essa atividade e não apenas os portugueses. O tráfico de africanos realizado pelos portugueses, a princípio, atendia suas necessidades internas e de suas ilhas atlânticas. No século XV, os africanos escravizados por Portugal eram utilizados em serviços urbanos, sobretudo em Lisboa, e eram utilizados na produção de açúcar nas ilhas atlânticas de Portugal (como Açores e Madeira). Com o desenvolvimento da produção açucareira no Brasil, a demanda de Portugal e dos colonos instalados no Brasil aumentou consideravelmente e, já na década de 1580, cerca de três mil africanos desembarcavam no Brasil. Apesar de concentrarem-se majoritariamente no litoral africano, os portugueses conseguiram penetrar na África Central e criar relações importantes com diversos reinos.

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